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Declamação Gaúcha Rio Grande do Sul
Poesia gaúcha · declamação · pajada

A poesia que se declama, não a que se lê em silêncio

O acervo da poesia declamada do Rio Grande do Sul: a pajada, a Décima Espinela, os poemas que atravessaram gerações e os rodeios onde essa palavra continua sendo dita em voz alta.

17 marcos históricos
3 eventos divulgados
4 vídeos catalogados
12 fontes citadas
Agenda

Eventos de declamação em rodeios e festivais

Os encontros que mantêm viva a poesia declamada: rodeios de poetas, festivais de poesia gauchesca e saraus. Cada evento divulgado aqui traz data, cidade e modalidade.


Confirmado

Sesmaria da Poesia Gaúcha 27ª Quadra

12 de setembro de 2026, às 20h — Osório/RS

Plenário da Câmara de Vereadores — Av. Jorge Dariva, 1211, centro

Projeto cultural da Associação Cultural Sesmaria, com apoio da Prefeitura de Osório, da Câmara de Vereadores e da Secretaria de Cultura do Estado do RS. Podem participar poetas e declamadores de qualquer parte do Brasil e países vizinhos, com temas do contexto sociocultural do Rio Grande do Sul. A comissão avaliadora seleciona 10 poesias, declamadas na noite do festival. Premiação: Troféu Francisco Pereira Rodrigues.

PoesiaIntérprete
Confirmado

Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria 37º

29 de janeiro a 6 de fevereiro de 2028 — Vacaria/RS

Parque do Rodeio — Vacaria, Serra do RS

Um dos maiores encontros tradicionalistas do país, promovido pelo CTG Porteira do Rio Grande. A programação inclui o Rodeio de Poesias — concurso de poesias gauchescas inéditas instituído pela lei municipal 614/1965, realizado a cada dois anos, com categorias de Poemas e de Declamador.

PoemasDeclamadorFestival de músicaConcurso de prendas
Confirmado

Rodeio de Poesias (Vacaria)

Bienal — durante o Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria — Vacaria/RS

Integrado ao Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria

Concurso de poesias gauchescas inéditas instituído pela lei municipal 614/1965 e realizado a cada dois anos durante o Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria. As inscrições abrem no ano anterior ao rodeio.

PoemasDeclamador
Ver agenda completa e resultados Organiza um festival? Divulgue no acervo.
Entenda

Declamação, pajada e décima — as formas do verso gaúcho

Este acervo é dedicado à poesia declamada e à pajada. A trova, forma distinta de quadra curta, entra apenas como contraste histórico.


Declamação

Recitação de um poema com interpretação: voz, pausa, gesto e presença de palco. É a forma pela qual a poesia gaúcha chega ao público em rodeios, CTGs e saraus.

Detalhes

Na declamação, o intérprete pode ou não ser o autor do poema. Nos festivais, as categorias costumam separar "Poemas" (autoria) de "Declamador" (interpretação).

Fonte: Câmara Municipal de Vacaria

Pajada (payada)

Duelo de versos improvisados ao som do violão, com raiz na tradição platina dos payadores argentinos, uruguaios e chilenos.

Detalhes

A pajada pode ser de temas infinitos, sempre seguindo uma linha mestra relacionada às coisas do pago. Os versos podem ser em décimas, sem que isso seja obrigatório. Braun levou a prática a palcos, rádio e livros sem que ela perdesse a origem popular e improvisada. O MTG só a reconheceu oficialmente em 2001.

Fonte: Cultura Gaúcha / Prosa Galponeira

Décima Espinela

Estrofe de dez versos cujo esquema rímático é atribuído ao poeta espanhol Vicente Espinel, no século XVI.

Detalhes

É a estrofe com que se expressam os pajadores gaúchos e os payadores argentinos, uruguaios e chilenos. Os versos podem ser heptassílabos (redondilha) ou decassílabos. Décimas com outros esquemas rímáticos são chamadas de Copla Real.

Fonte: CTG Sinuelo da Serra

Rodeio de Poetas

Encontro e competição de poesia crioula e declamação, geralmente integrado a um rodeio crioulo maior.

Detalhes

Formato tradicionalíssimo no Rio Grande do Sul. O Rodeio de Poesias de Vacaria, criado pela lei municipal 614/1965, é um dos mais antigos e é realizado a cada dois anos durante o Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria.

Fonte: Câmara Municipal de Vacaria

Estância da Poesia Crioula (EPC)

Entidade de poetas tradicionalistas fundada no final da década de 1950, em Porto Alegre, hoje Academia Nativista Estância da Poesia Crioula.

Detalhes

Jayme Caetano Braun foi um de seus fundadores. Foi nos rodeios promovidos pela EPC, em Caxias do Sul, que se registrou a primeira pajada ao lado de Sandálio Santos, em junho de 1958.

Fonte: Cultura Gaúcha

Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG)

Entidade que coordena o tradicionalismo gaúcho no Rio Grande do Sul, fundada a partir das convenções tradicionalistas iniciadas em 1968.

Detalhes

Jayme Caetano Braun presidiu seu conselho coordenador em 1959. O reconhecimento oficial da pajada como modalidade veio apenas em 2001.

Fonte: CTG Sinuelo da Serra / MTG

História

Os marcos da poesia declamada no Rio Grande do Sul

Da Décima Espinela registrada no século XVI à pajada que subiu ao palco no século XX — e ao reconhecimento oficial que só veio em 2001.


  1. século XVI

    O esquema da Décima Espinela

    O poeta espanhol Vicente Espinel registra o esquema rímático da estrofe de dez versos que se tornaria a base métrica da pajada gaúcha. Variantes com outras rimas passaram a ser chamadas de Copla Real.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  2. 30 de janeiro de 1924

    Nasce Jayme Caetano Braun

    Nasce em Timbaúva — hoje Bossoroca —, então distrito de São Luiz Gonzaga, na região das Missões do Rio Grande do Sul. Foi registrado poucos dias depois, em 7 de fevereiro de 1924.

    Fonte: Vinicius Ribeiro (escultor) / Cultura Gaúcha
  3. junho de 1958

    A primeira pajada — Braun e Sandálio Santos

    No 2º Rodeio de Poetas da Estância da Poesia Crioula, em Caxias do Sul, Jayme Caetano Braun protagoniza sua primeira pajada ao lado do poeta uruguaio Sandálio Santos (Nicácio Garcia Beriso). Ali aprende a estrutura da Décima Espinela. Braun tinha 34 anos e resgatava o improviso com instrumental de cordas.

    Fonte: Prosa Galponeira
  4. 8 de julho de 1999

    Morre Jayme Caetano Braun

    Morre em Porto Alegre, aos 75 anos. Seu corpo foi velado no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini, sede do governo do estado.

    Fonte: Recanto das Letras
  5. 2001

    O MTG reconhece a pajada — e nasce o Dia do Payador

    Dois anos após a morte de Braun, o Movimento Tradicionalista Gaúcho reconhece oficialmente a pajada. No mesmo período, a lei estadual nº 11.676/01, de autoria do deputado João Luiz Vargas, institui o Dia do Payador em 30 de janeiro, data de nascimento do poeta.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  6. 2024

    Centenário de Jayme Caetano Braun

    Homenagens em todo o estado: reinauguração da estátua no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, revitalizada pelo artista plástico Vinícius Ribeiro; espetáculo "Jayme Caetano Braun — Um Século de Arte" no Theatro São Pedro; e o álbum "Tributo ao Payador", com 12 poemas inéditos de autores do verso regional.

    Fonte: Diário Gaúcho
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Personalidades

Quem declamou o Rio Grande

Payadores, poetas e declamadores registrados neste acervo, com datas e obras conferidas em fonte.


Payador, poeta, radialista e declamador

Jayme Caetano Braun

30/01/1924 — Timbaúva (hoje Bossoroca), então distrito de São Luiz Gonzaga, RS

O payador mais celebrado do Rio Grande do Sul e patrono do Movimento Pajadoril no Brasil. Nasceu na região das Missões, filho de imigrante alemão e mãe indígena. No final da década de 1950 foi membro fundador da Academia Nativista Estância da Poesia Crioula, em Porto Alegre, onde também atuou como funcionário público e locutor de rádio. Em junho de 1958 protagonizou, com o poeta uruguaio Sandálio …

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Poeta

Vicente Espinel

século XVI — Espanha

Poeta espanhol a quem se atribui o registro do esquema rímático da décima de dez versos, que por isso leva seu nome: a Décima Espinela, base métrica da pajada gaúcha.…

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Cancioneiro

Os poemas que se declamam de cor

Títulos consagrados nas festas gauchescas e nos rodeios de poetas — com o contexto de cada um. A letra integral só é publicada quando a obra está em domínio público.


Bochincho

Jayme Caetano Braun

Um dos poemas mais declamados do Rio Grande do Sul. Narra a chegada de um payador a um baile popular de campanha e a briga que se arma quando o dono do bochincho aparece — com a gaita velha gemendo ao fundo. Em 2019, o poema mobilizou um financiamento coletivo para virar curta-metragem.

Livro: Bota de Garrão (1979)

Tio Anastácio

Jayme Caetano Braun

Retrato de um negro velho, já tordilho, na venda do Bonifácio, entre a ponte e o lajeado. Um dos textos mais declamados nas festas gauchescas.

Amargo

Jayme Caetano Braun

Poema dedicado ao chimarrão e à memória: o porongo requeimado, a bomba prateada e o gosto de resina que atravessa a história campeira.

Paraíso Perdido

Jayme Caetano Braun

Entre os poemas mais declamados do autor nas festas regionalistas.

Payada a Mário Quintana

Jayme Caetano Braun

Diálogo entre a tradição oral gaúcha e a literatura erudita, dedicado ao poeta Mário Quintana.

Payada para o Irmão Negro

Jayme Caetano Braun

Poema sobre a participação de escravizados na Revolução Farroupilha, tema que hoje se relaciona diretamente ao debate sobre os Lanceiros Negros.

Vídeos

Declamações e registros em vídeo

Material catalogado com crédito ao canal de origem. O player só é carregado quando você clica — assim a página fica leve e nada de terceiros é carregado sem o seu gesto.


BOCHINCHO - JAYME CAETANO BRAUN
Poema declamado

BOCHINCHO - JAYME CAETANO BRAUN

Canal AS MELHORES MÚSICAS GAÚCHAS

Galo de Rinha - Jayme Caetano Braun e Glênio Fagundes
Poema declamado

Galo de Rinha - Jayme Caetano Braun e Glênio Fagundes

Canal O Canal do Roos

Poesias Gauchescas inéditas — 33º Rodeio Internacional Vacaria
Festival

Poesias Gauchescas inéditas — 33º Rodeio Internacional Vacaria

Canal Câmara Municipal de Vacaria / RS

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Acervo visual

Fotografias de época

A curadoria de imagens históricas está em andamento. Cada fotografia só é publicada com crédito completo e licença verificada — sem exceção.


Digitalização em curso

Estamos levantando fotografias históricas de rodeios de poetas, festivais de declamação e registros de payadores, sempre com identificação de autor, instituição detentora e licença de uso. Nenhuma imagem entra no acervo sem crédito completo.

Tem uma fotografia histórica para contribuir? Fale com a curadoria.

Quem venceu

Resultados recentes dos concursos

Os premiados em cada modalidade, para que o acervo continue vivo fora da temporada de festivais.


2026

1º Silvana Andrade — "De Aporfia" Declamador
1º Rafael Ferreira (Vacaria) — "O Inventor de Memórias" Poemas
2º Mateus Costa (Dom Pedrito) — "Bebedouro de Cismas" Poemas
3º Jaime Brum Carlos (Restinga Seca) — "De Aporfia" Poemas
Curadoria

Todo dado deste acervo tem fonte

Datas, obras, leis e resultados foram conferidos em materiais acadêmicos, entidades tradicionalistas, acervos digitais e veículos de imprensa. As 12 fontes usadas estão listadas e linkadas, e cada marco histórico indica de onde veio a informação.

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